Value Investing: o que é, como calcular e vantagens

Value Investing: o que é, como calcular e vantagens

Investir em ações é uma oportunidade de se tornar sócio de empresas de capital aberto na Bolsa de Valores. Porém, diante da grande variedade de papéis existentes, você pode ter dificuldades em escolhê-los. Nesse sentido, conhecer estratégias de investimento, como o value investing, pode ser de grande ajuda.

Por meio dele, é possível avaliar quais são as ações que representam as melhores oportunidades para o seu portfólio. Inclusive, essa estratégia é a mesma utilizada por grandes investidores do mundo — tanto brasileiros quanto estrangeiros.

Então vale a pena explorar o conceito e funcionamento do value investing, além de saber como calculá-lo e conhecer as suas vantagens. Continue a leitura e saiba mais!

O que é value investing?

Em tradução direta, a expressão value investing significa investimento em valor. Essa é uma estratégia de investimento que busca encontrar ações que estejam subvalorizadas. Ou seja, o foco é encontrar papéis precificados abaixo do que efetivamente valem.

No mercado financeiro, o conceito de preço não é sinônimo de valor. Enquanto preço diz respeito à quantia financeira necessária para comprar um ativo, o valor é mais subjetivo e se refere a todos os benefícios que o investimento pode oferecer.

A proposta de procurar por assimetrias entre o preço e o valor de uma ação foi apresentada por Benjamin Graham e David Dodd na Columbia Business School, em 1928. Já no ano de 1934, ela foi incluída na obra “Security Analysis” (ou Análise de Segurança), de autoria de Graham e Dodd.

Embora eles nunca tenham usado propriamente a expressão value investing, ela foi adotada para ajudar a descrever as suas ideias e princípios. Mais estudos sobre essa estratégia foram publicados em 1949 no livro “The Intelligent Investor” (O Investidor Inteligente), de Graham.

Considerado o manual do investidor, essa obra defende que se você souber calcular o verdadeiro valor de uma ação, poderá economizar dinheiro quando for adquiri-la. Assim, o value investing pode ajudar o investidor a fazer as melhores escolhas na hora de investir.

Como calcular o valor da ação no value investing?

Depois de aprender o que é o value investing, é possível que você queira saber como é feito o cálculo do valor intrínseco da ação. Como você viu, essa estratégia se baseia na procura por ativos que estejam sendo negociados abaixo do seu preço justo e que possam se valorizar no futuro.

Então será necessário encontrar o valor intrínseco do papel — ou seja, seu preço justo. Também é preciso conferir se a empresa tem condições de entregar resultados ao longo do tempo. Em ambos os casos, diferentes indicadores da análise fundamentalista podem ser utilizados.

Eles permitem se aprofundar nos fundamentos da companhia, ajudando a ter uma visão clara sobre o negócio e suas perspectivas futuras. Um dos principais indicadores utilizados no value investing é o P/L, calculado a partir da divisão do preço da ação pelo lucro do papel.

Geralmente, é interessante encontrar empresas com baixo P/L. O preço atual da ação pode ser consultado em um home broker ou na internet. Como ele varia de acordo com lei da oferta e demanda, é possível que em um determinado momento a cotação fique abaixo do valor intrínseco calculado.

Logo, ao fazer esse tipo de análise, você saberá se o ativo está caro ou barato e se é o momento para investir nele. Porém, é preciso ter em mente que o value investing é uma estratégia focada no longo prazo.

Afinal, a sua proposta é aproveitar o preço baixo de uma ação para participar dos resultados de uma companhia com bons fundamentos e perspectivas de crescimento no futuro. Portanto, ela não fará sentido caso você apenas queira especular no mercado.

Quais os investidores de value investing mais conhecidos?

No início, você viu que o value investing é uma estratégia usada por grandes investidores no mundo todo. Então chegou o momento de conhecê-los.

Veja abaixo os principais investidores que utilizam a estratégia!

Warren Buffett

Se você acompanha o noticiário econômico já deve ter lido ou ouvido falar a respeito de Warren Buffett. Nascido em 1930, na cidade de Omaha (EUA), ele é considerado o maior investidor do mundo. E grande parte de sua fortuna foi obtida com a estratégia value investing.

Com apenas 11 anos, ele comprou as suas primeiras ações no mercado norte-americano. Na ocasião, foram US$ 100 em papéis preferenciais da Cities Service Company — uma empresa que atuava com serviços públicos como gás natural, energia elétrica, transporte e, posteriormente, petróleo.

Durante a adolescência, Buffett empreendeu em diversas frentes: entregou jornais, vendeu doces e refrigerantes, alugou máquinas de pinball e muito mais. Antes de iniciar a vida adulta, ele já tinha um patrimônio de US$ 10 mil, o que hoje seria equivalente a US$ 100 mil, atualizando os valores.

Buffett conheceu o value investing por meio do próprio Benjamin Graham, que foi seu professor de economia na Columbia Business School. Ao longo dos anos, ele acumulou um patrimônio de US$ 118 bilhões, ocupando a 5ª posição entre as pessoas mais ricas do mundo, segundo a Forbes.

Uma de suas frases mais icônicas é “tenha medo quando os outros são gananciosos e seja ganancioso quando os outros estão com medo”. Ela faz referência ao fato de que muitos não encontram sucesso na bolsa por comprarem em mercados de alta e venderem diante de baixas, enquanto deveriam fazer o contrário.

Benjamin Graham

Como você viu, o professor, autor, economista e investidor Benjamin Graham foi o precursor da estratégia value investing. Ele nasceu em Londres no ano de 1894 e foi batizado como Benjamin Grossbaum. Com 1 ano de idade, ele e seus familiares se mudaram para os Estados Unidos.

Como a família era de origem judaica, todos tiveram que mudar o sobrenome para Graham durante a Primeira Guerra Mundial para não atrair a atenção dos alemães. Com o falecimento do pai, Benjamim passou por um longo período de pobreza e sofrimento.

Contudo, isso o motivou a buscar melhores condições para a sua família, chegando a se formar aos 20 anos na Universidade de Columbia. Na ocasião, ele conseguiu um emprego em uma corretora de Wall Street — a Newburger, Henderson and Loeb.

Sua tarefa, no começo, era entregar documentos e cheques. Porém, com o seu brilhantismo, logo foi promovido e passou a analisar a saúde financeira de empresas. Aos 26 anos, Graham tornou-se sócio da corretora. Em 1923, deixou a companhia e abriu a sua própria empresa em parceria com Jerry Newman.

Já no ano de 1926, o investidor passou a lecionar economia na Columbia Business School. Lá, construiu grandes amizades e fez uma carreira de sucesso, escrevendo importantes livros sobre investimentos, usados até hoje. Ele faleceu em 1976, aos 82 anos.

Charlie Munger

Nascido em 1924, em Omaha, Charles Thomas Munger é um megainvestidor que também fez fortuna com o value investing. Na adolescência, ele trabalhou na mercearia do avô de Warren Buffett (a Buffett & Son), tornando-se íntimo da família.

Embora tenha começado a faculdade de matemática na Universidade de Michigan, Munger abandonou o curso para servir no United States Army Air Corps (Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos). Após a carreira militar, ele concluiu o curso de direito na Harvard Law School.

Apesar de ter se dedicado por anos à advocacia, Charlie desistiu da profissão para atuar no mercado financeiro. Por volta dos anos de 1960, ele abriu uma companhia de investimentos, chegando a fazer uma parceria com Warren Buffett entre 1962 e 1975.

Hoje, Munger é o principal sócio de Warren Buffett na Berkshire Hathaway, além de um grande amigo e uma pessoa de sua total confiança. Em 2022, ele tinha um patrimônio de aproximadamente US$ 2,2 bilhões, de acordo com a revista Forbes.

Grande parte do seu patrimônio foi construído com o uso da estratégia de value investing. O seu fascínio pelo investimento em valor foi tamanho que ele desenvolveu um checklist para lembrar todos os itens que precisam ser avaliados ao investir.

Peter Lynch

Peter Lynch também tem origem norte-americana e nasceu no ano de 1944, em Newton (EUA). Ele é reconhecido como uma referência no universo dos investimentos, sobretudo pela sua atuação como gestor do Fidelity Magellan Fund — um dos maiores fundos de ações no mundo.

Sua história também é marcada por uma infância difícil, considerando a morte do seu pai quando Lynch tinha apenas 10 anos. Peter começou a trabalhar ainda pequeno como carregador de tacos em um clube de golfe da cidade, para ajudar com o sustento da família.

No clube, Lynch passou a se interessar pelo mercado acionário por causa das conversas que ouvia entre os seus frequentadores. Na adolescência, ele conseguiu uma bolsa de estudos no Boston College e se tornou bacharel em ciências, em 1965.

Enquanto estudava, Peter chegou a economizar dinheiro para investir. O seu primeiro investimento que teve retorno foi a aquisição de 100 ações da Flying Tiger Line, por US$ 800. Pouco tempo mais tarde, os papéis já valiam US$ 8 mil.

Em 1966, ele conseguiu um estágio na Fidelity Investments. Ainda naquele ano, Peter fez mestrado em administração de empresas na Universidade da Pensilvânia. Em 1969, Lynch foi contratado definitivamente e, em 1974, alcançou o cargo de diretor.

Três anos mais tarde, ele se tornou gestor do Fidelity Magellan Fund. Sob a sua gestão, o fundo teve um crescimento de 2.700%, entre 1977 e 1990, e parte desse sucesso se deu pela utilização do value investing.

Além dessa estratégia, Lynch também investia em empresas com maior potencial de crescimento — também chamado de growth investing. O sucesso obtido pelo fundo permitiu que ele se aposentasse com 46 anos, quando passou a se dedicar à filantropia.

Luiz Barsi Filho

Não poderia ficar fora dessa lista o maior investidor pessoa física da B3 (a Bolsa de Valores brasileira), o economista e advogado Luiz Barsi Filho. Ele tem uma grandiosa história de superação, a qual revela que todas as pessoas podem investir e ter sucesso no mercado, mesmo no Brasil.

Nascido em 1939, Barsi perdeu o pai quando tinha um ano. Durante a sua infância, morou com a mãe em um cortiço na região do Brás, em São Paulo. Devido às poucas condições de sua família, ele começou a trabalhar aos nove anos, como engraxate.

Aos quatorze anos, Barsi conseguiu um emprego junto a uma corretora de valores e passou a investir parte do seu salário. Seguindo a estratégia de value investing, ele comprava ações descontadas de setores perenes (defensivos) e que realizavam a distribuição de dividendos.

Com investimentos constantes, reinvestimento dos dividendos e o fator tempo, Luiz Barsi tornou-se bilionário. Por conta do seu sucesso como investidor, ele ficou conhecido como “Warren Buffett brasileiro”.

Embora seja dono de cerca de R$ 2 bilhões, Barsi mantém um padrão de vida simples. Em vez de ostentar carros luxuosos e itens de grife, ele anda com roupas básicas e usa transporte público diariamente para ir trabalhar no seu escritório em São Paulo.

Quais são as vantagens do value investing?

Agora que você conhece os principais investidores que utilizam o value investing, chegou o momento de explorar as vantagens dessa estratégia. Confira!

Direcionamento

Uma das principais vantagens proporcionadas pelo value investing é o direcionamento do investidor. Como existem diversas ações disponíveis no mercado acionário, fica mais difícil tomar decisões quando não se tem um foco. Do mesmo modo, podem surgir desafios para organizar e gerir a carteira de investimentos.

Portanto, ao considerar as diretrizes do value investing, o investidor já sabe quais ativos ele buscará. Isso evita que você perca tempo analisando investimentos que não atendem aos critérios definidos na estratégia.

Prazo

Considerando que o value investing é uma estratégia focada no longo prazo, você terá mais tempo para fazer as suas análises. O mesmo se aplica quando é preciso reajustar ou se desfazer de uma posição, o que tende a diminuir a ocorrência de erros operacionais.

Normalmente, quem busca resultados de curto prazo precisa fazer análises dinâmicas para não perder a oportunidade de uma operação. Nesses cenários, as chances de tomar uma decisão equivocada são maiores, podendo causar prejuízos financeiros.

Estabilidade

Outra vantagem do value investing está relacionada à estabilidade. Isso porque toda ação negociada na bolsa de valores fica exposta à volatilidade do mercado. Logo, os preços sobem e descem conforme o aumento ou diminuição da oferta e demanda.

Nesse sentido, quem opera em prazos menores costuma ser bastante afetado pela volatilidade. Por outro lado, o investidor que utiliza o value investing e mantém os papéis por longos períodos na carteira tende a encontrar uma estabilidade maior no investimento.

Afinal, ele poderá desprezar as oscilações de curto prazo, já que elas tendem a não ter efeitos nos resultados de longo prazo.

Quais são os tipos de value investing?

Sabendo as vantagens proporcionadas pelo value investing, é importante destacar que a estratégia ainda pode ser dividida em dois tipos.

Veja cada um deles abaixo!

Deep value investing

O foco do deep value investing é encontrar ações de companhias que estejam extremamente depreciadas. É bastante comum que isso aconteça quando a empresa está passando por um período de dificuldades financeiras. Por exemplo, ao pedir a recuperação judicial.

Assim, o investidor consegue calcular a relação entre o montante investido e o quanto seria possível obter se a empresa fosse vendida ou liquidada. Por conta disso, essa estratégia costuma ter um risco maior, sendo necessário fazer análises mais profundas para tomar decisões acertadas.

High quality investing

Por sua vez, o high quality investing seria a forma oposta do deep value investing. Isso em razão da estratégia ser focada na busca por companhias com uma boa saúde financeira, mas que tenham os papéis subvalorizados.

A premissa é comprar ações que estejam com o preço baixo momentaneamente, diante de alguma notícia ou evento pontual. Quando superada a questão, a tendência é que esses papéis voltem a valorizar, potencializando os resultados da carteira do investidor.

Perguntas frequentes sobre value investing

Até aqui, você já conferiu bastante conteúdo sobre o value investing. Ainda assim, vale conhecer as perguntas mais frequentes sobre essa estratégia — o que ajuda a reforçar o que você aprendeu.

Veja:

Por onde estudar sobre value investing?

A principal forma de estudar o value investing é ir direto à fonte, como ao ler os livros “Security Analysis” (ou Análise de Segurança) e “The Intelligent Investor” (O Investidor Inteligente). Ambos são de autoria de Benjamin Graham.

Quais os riscos de fazer value investing?

Os riscos do value investing são os mesmos de quem investe em renda variável de outras formas. Isso significa que não é possível prever com precisão quais serão os resultados obtidos. Na prática, devido ao risco de mercado, o investidor poderá realizar prejuízos caso as projeções não se concretizem.

Como saber se devo fazer value investing?

Toda decisão de investimento deve ser tomada com base no seu perfil de investidor e objetivos financeiros. Logo, você precisa avaliar se o value investing é uma estratégia que faz sentido para as suas necessidades. Lembre-se que ela é voltada para o investimento em ações visando o longo prazo.

Créditos: https://www.btgpactualdigital.com/como-investir/artigos/acoes/value-investing-o-que-e-como-calcular-e-vantagens

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A Kira Investimentos é uma empresa de agentes autônomos de investimento contratada pelo Banco BTG Pactual e devidamente registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na forma da Instrução Normativa nº 497/11. A Kira Investimentos atua no mercado financeiro através do Banco BTG Pactual, o que pode ser verificado através do site da CVM, da ANCORD ou do próprio BTG Pactual. Na forma da legislação da CVM, o agente autônomo de investimento não pode administrar ou gerir o patrimônio de investidores. O agente autônomo é um intermediário e depende da autorização prévia do cliente para realizar operações no mercado financeiro, as informações contidas neste site não contemplam de maneira alguma recomendação de compra ou de aplicação em investimentos. O investimento em ações é um investimento de risco e rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Na realização de operações com derivativos existe a possibilidade de perdas superiores aos valores investidos, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Toda e qualquer comunicação realizada em ambiente online está sujeita à interrupções e/ou atrasos, podendo impossibilitar o envio de ordens ou recebimento de informações atualizadas. A Kira Investimentos se exime de toda e qualquer responsabilidade sobre a falha de serviços disponibilizados por terceiros. Para informações e dúvidas, favor contatar seu agente de investimentos. Para reclamações, favor contatar a Ouvidoria do Banco BTG Pactual pelo telefone 0800-722-0048.

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